A sonda japonesa Hayabusa2 está retornando para a Terra, trazendo amostras do solo e dados do asteroide Ryugu que podem fornecer pistas sobre as origens do sistema solar, segundo divulgou um funcionário da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa) nesta sexta-feira (27).

As amostras serão lançadas no sul da Austrália no dia 6 de dezembro, em uma cápsula solta pela Hayabusa2. A espaçonave levou cerca de um ano para cobrir os 300 milhões de quilômetros de distância entre a Terra e o asteroide Ryugu.

Cientistas da Jaxa acreditam que as amostras, principalmente as retiradas da superfície do asteroide, contêm dados importantes que não foram afetados pela radiação espacial e outros fatores ambientais.

“Os materiais orgânicos são as origens da vida na Terra, mas ainda não sabemos de onde vieram”, disse Makoto Yoshikawa, gerente de missão da Hayabusa2. “Esperamos encontrar pistas sobre a origem da vida na Terra, analisando detalhes dos materiais orgânicos trazidos pela Hayabusa2”.

A Jaxa pretende lançar a cápsula com as amostras em um local remoto e pouco povoado da Austrália, a uma distância de 220 mil quilômetros da superfície, método que exige muita precisão. A cápsula é protegida por um escudo térmico e se transformará em uma bola de fogo durante sua reentrada na atmosfera, 200 quilômetros acima do solo. Quando faltarem apenas 10 quilômetros para atingir o solo, um paraquedas se abrirá para facilitar o pouso. Ao mesmo tempo, a cápsula emitirá sinais para indicar sua localização.

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Superfície do asteroide Ryugu. Imagem: Jaxa/Divulgação

Hayabusa2 voltará ao espaço

Os cientistas da Jaxa instalaram antenas parabólicas em vários locais na área de pouso para captar os sinais, mas helicópteros, drones e radares marinhos estarão de prontidão para ajudar na busca e recuperação da cápsula – que possui apenas 40 centímetros de diâmetro.

Este não será o fim da missão da Hayabusa2, que foi iniciada em 2014. Depois de soltar a cápsula, a sonda retorna ao espaço e seguira para um pequeno asteroide, chamado 1998KY26, em uma missão prevista para durar mais 10 anos.

A sonda pousou em Ryugu duas vezes, apesar de sua superfície ser extremamente rochosa, e coletou amostras e dados com sucesso durante um ano e meio após sua chegada em junho de 2018. Em fevereiro do ano seguinte, coletou amostras de poeira da superfície. Já em julho do mesmo ano, coletou amostras subterrâneas de um asteroide pela primeira vez, depois de pousar em uma cratera criada pela própria Hayabusa2.

Asteroides estão entre os objetos mais antigos do sistema solar, o que leva os pesquisadores a acreditar que esses dados podem ajudar a explicar a evolução da Terra.

 

Via: Phys.org