Esconder informação em itens do cotidiano não é uma atividade atípica atualmente. Qualquer um pode disfarçar um pen drive em formatos de cartão de crédito, batom ou chaveiros. No entanto, cientistas maximizaram esse conceito ao criar objetos capazes de armazenar sequências de DNA impressas em 3D e outros dados importantes, como óculos modernos e um coelho de plástico. 

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O estudo foi publicado nesta segunda-feira (16) na revista Nature Biotechnology. Um dos autores, Yaniv Erlich, disse que a realização pode ser essencial para pessoas que precisam esconder informações confidenciais. “Digamos que alguém pense que você está tentando extrair informações de uma instalação particular e começa a revistar seus itens eletrônicos. Com essa tecnologia, você pode ocultar tudo dentro de um botão de camisa”, anunciou o pesquisador. 

Desenvolvimento

Assim como o produto final, o desenvolvimento foi bem complexo. Ao criar um código que transforma às quatro bases do DNA (A,G, C e T) em uma sequência de 1s e 0s, os pesquisadores foram capazes de representar instruções de impressão em 3D, e um vídeo de dois minutos como sequências curtas de DNA, chamadas oligos. Em seguida, imprensaram a molécula dentro de camadas de sílica, formando esferas de vidro nanométricas. 

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Após o processo, o material foi difundido em impressão 3D e transformado em coelhinhos de plásticos e óculos modernos. O primeiro produto contém as instruções necessárias para imprimir uma réplica, enquanto o segundo abarca um arquivo de vídeo. 

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O coelho de plástico que os pesquisadores criaram é um modelo de teste 3D padrão conhecido como “Stanford Bunny”, mas o vídeo escolhido para o par de óculos foi sobre os arquivos do Gueto de Varsóvia, que contém 25 mil páginas de documentos históricos escondidos pelos judeus em caixas de metal e grandes latas de leite durante o Holocausto.

Utilidade

Além da espionagem internacional comum, Erlich disse que a tecnologia pode ser aplicada às áreas médicas e de segurança. Entusiastas de criptomoeda podem armazenar sua senha do Bitcoin nas contas de DNA, assim como médicos conseguem registrar informações do paciente em implantes dentários para exames futuros, por exemplo. 

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O autor revela que as esferas do tamanho de nanômetros podem ser ingeridas e depois excretadas, fornecendo uma última opção para contrabandistas que estão em momentos de adversidades. Ainda assim, ele reconhece que “pessoas do bem” também precisam manter arquivos em segredo, e sua tecnologia pode ser fundamental para isso. “As pessoas boas precisam ocultar informações, então por que não dar mais opções?”, concluiu o cientista. 

No entanto, o valor da novidade parece ser um empecilho para o produto chegar ao mercado em um futuro próximo. “A principal razão pela qual não veremos essa tecnologia a curto prazo é o seu custo”, afirmou Erlich. Segundo o pesquisador, o grupo teve de reembolsar US$ 2.500 para criar as sequências artificiais de DNA do coelho. 

 

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Via: Vice