Nós já falamos sobre como os celulares mudaram de cara e como eles se tornaram parte fundamental da vida de bilhões de pessoas no mundo na última década, mas nada disso seria possível sem os aplicativos.

Publicidade

Os apps transformaram completamente a forma como interagimos uns com os outros em sociedade e andaram lado a lado com a popularização dos smartphones. Não só eles mudaram a forma como lidamos com a computação, como também deram origem a uma série de novas atividades profissionais, enquanto extinguiam outras que se tornaram redundantes.

Confira as categorias de aplicativos que mais transformaram nossas vidas na última década.

Publicidade

Mensageiros

Para se ter uma ideia de como o mercado de aplicativos de mensagens mudou ao longo da última década, basta lembrar que, em 2010, o MSN (ou Windows Live Messenger, para ser mais preciso), ainda era a ferramenta número um de comunicação digital. O serviço só seria descontinuado em 2013, incapaz de acompanhar a transição para a era da mobilidade.

publicidade

Reprodução

Foi então que surgiu o novo campeão entre os mensageiros. Lançado em 2009, o WhatsApp rapidamente começou a conquistar público no início da década, ainda numa era em que o SMS era a forma de comunicação móvel mais comum. O envio de mensagens pela internet móvel em vez da rede de telefonia rapidamente caiu no gosto popular, permitindo economizar um pacote de SMS que muitas vezes era caríssimo e limitado.

Publicidade

Com a popularização do smartphone conforme a década avançou, o WhatsApp tornou-se onipresente, com mais de 1,5 bilhão de usuários espalhados pelo planeta e mudou a forma como nos comunicamos. O Facebook enxergou a força do app ainda em 2014 e, não à toa, decidiu investir mais de US$ 19 bilhões em sua aquisição.

O aplicativo ficou tão grande que passou a se tornar um problema para governos. Basta lembrar das vezes em que a Justiça brasileira decidiu bloquear o acesso devido à incapacidade dos desenvolvedores em entregar as mensagens que ajudariam em investigações policiais. A introdução da criptografia de ponta-a-ponta também tornou ainda mais complexa a cooperação com as autoridades.

O WhatsApp não é o único aplicativo desse grupo de mensageiros que ganhou força na década. O Messenger, que também pertence ao Facebook, também tem mais de 1 bilhão de usuários, enquanto o Telegram se apresenta como uma alternativa mais segura aos seus concorrentes. Na Ásia, ainda há apps como o Line e o WeChat, que não chegaram a ganhar tanta força no Ocidente, mas são profundamente populares.

Publicidade

A força dos mensageiros deu origem a uma tendência que ganhou força ao final da década: os chatbots. Foi a ferramenta encontrada pelas empresas para aproveitar essa forma de interação por meio de mensagens de texto para se comunicar com o cliente. Hoje há vários robôs de atendimento operando por meio de plataformas como o WhatsApp e o Messenger.

Alguns aplicativos foram além e se ampliaram para além das barreiras das mensagens. O WeChat é o maior exemplo de um mensageiro que também é muitas outras coisas: plataforma para jogos, comércio eletrônico, pagamentos e muito mais. É o que se convencionou a se chamar de “super-app”. O Messenger, do Facebook, também tenta seguir esse caminho.

Transporte

Reprodução

Talvez seja o setor que mais se transformou com a era dos aplicativos. Imagine-se novamente em 2009. Você foi a uma festa e acabou perdendo o horário do último ônibus e não tem mais como voltar para casa. O que você faz? Senta e chora? Você tem o telefone do táxi para voltar para casa pagando bandeira 2 ou vai tentar a sorte na rua até passar algum carro? Espera o ônibus voltar a circular? Este é um dilema que para muitos não existe mais desde que a Uber e concorrentes entraram com tudo no mercado ao longo destes últimos 10 anos.

Publicidade

Claro, o preço mais baixo destes aplicativos de transporte fez com que eles rapidamente caíssem no gosto do povo, mas não foi só isso. Os apps se aproveitaram das novas possibilidades abertas pelos smartphones, como a conectividade permanente e o GPS presente em todos os aparelhos para oferecer simplicidade e conveniência que não existiam com o serviço de táxi. O resultado foi avassalador; taxistas do mundo inteiro se rebelaram contra a ameaça ao seu ganha-pão, mas no fim, os apps venceram, e hoje temos uma nova categoria de trabalhador: o motorista de Uber.

O motorista de Uber, inclusive, tem como um dos grandes aliados um outro aplicativo: o Waze, que se tornou indispensável em muitas cidades do Brasil, especialmente naquelas onde o trânsito é insuportável, como é o caso de São Paulo. A união do GPS com o crowd-sourcing, usando informações geradas pelos próprios usuários tornou consideravelmente mais fácil o transporte para quem costuma dirigir, permitindo desviar de áreas tumultuadas com bastante antecedência.

Contudo, não foi só o transporte por carros que foi afetado pela era dos aplicativos. Especialmente no final da década, começaram a se popularizar meios de deslocamento alternativos habilitados pelos apps. Estamos falando das bicicletas e patinetes on-demand, que hoje podem ser facilmente ser encontradas nas áreas comerciais de algumas das maiores cidades do Brasil. A simplicidade de pegar uma bicicleta que está encostada na calçada e sair andando com ela até o seu destino fez com que muitos começassem a mudar sua rotina.

Publicidade

Nem mesmo o transporte público escapou da revolução dos aplicativos. Dependendo de onde você mora, hoje já é possível monitorar em tempo real a localização do seu ônibus, permitindo minimizar o tempo de espera na parada. Aplicativos como Trafi e Moovit são parte importante do cotidiano de quem depende do transporte público.

Entregas

Reprodução

Entrega de comida existe desde muitas décadas, mas nunca se viu um movimento tão intenso de delivery como a onda recente habilitada por aplicativos como Uber Eats, iFood e Rappi. São empresas que mudaram completamente o mercado nos últimos anos, tanto para os restaurantes quanto para os consumidores.

No centro dessa transição está a “uberização” dos entregadores. Antigamente, os estabelecimentos precisavam ter suas próprias pessoas de confiança para realizar suas entregas, mas os apps transformaram essa situação, criando um cenário no qual qualquer restaurante pode começar a entregar comida pedida pela internet, preocupando-se apenas com a produção do alimento.

Publicidade

Com os apps, entregadores estão permanentemente rodando pela cidade, esperando por um pedido para se deslocar até um estabelecimento, retirá-lo para levar até o seu destino, ganhando um valor de taxa de entrega, sem qualquer vínculo com o restaurante. Do ponto de vista do cliente, não é difícil ver qual é a vantagem destes apps: há um catálogo enorme de estabelecimentos, e o pedido não leva mais do que alguns toques na tela, ao passo em que os restaurantes podem encontrar um público que jamais conseguiria contatar de qualquer outra forma.

Essa mudança vai além da entrega de comida. Apps como o Rappi não se restringem a levar até você um pedido que você fez pela internet em um restaurante; eles permitem que o entregador traga compras do mercado, do pet-shop e tantos outros estabelecimentos comerciais, criando uma nova camada de conveniência.

Também não é possível esquecer do que fez a Loggi, que se tornou um dos raros “unicórnios” (jargão do Vale do Silício para uma startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão) brasileiros, e mexeu com o mercado de logística, reunindo entregas de motoboys para empresas, comércios eletrônicos, restaurantes, ou simplesmente para pegar aquele carregador de notebook que você esqueceu na casa da sua mãe.

Publicidade

Dinheiro

Os aplicativos mexeram consideravelmente na forma como nos relacionamos com dinheiro na última década. As “fintechs”, termo para definir startups que usam tecnologia para oferecer serviços financeiros, apareceram com toda a força.

Talvez a grande mudança para o mercado brasileiro tenha sido a insurgência dos bancos digitais, que não possuem agência e são basicamente um aplicativo no seu celular que permite gerenciar suas finanças, acompanhar seu saldo e seu extrato, monitorar seus investimentos, transferir dinheiro e fazer pagamentos.

Reprodução

Publicidade

Boa parte dos bancos digitais surgiu a partir de instituições que não são necessariamente novas. É o caso do Banco Inter, que já era Intermedium havia muitos anos, mas ganhou fôlego com a nova estratégia digital. Outro exemplo é o Next, que nasceu como um braço digital do Bradesco, embora haja uma expectativa de uma separação entre as instituições no futuro.

Neste sentido, é importante observar a disparada do Nubank, e como a startup conseguiu conquistar clientes sem estar diretamente ligada a um banco já estabelecido. A fintech nasceu como um cartão de crédito que tinha o diferencial de não ter anuidade e permitir gerenciar custos diretamente no aplicativo, mas aos poucos evoluiu para uma conta digital, com cartão de débito, investimentos, pagamentos, empréstimos e basicamente tudo que um banco convencional tem.

Outros aplicativos que não tentam se apresentar como bancos também ganharam muito espaço nos últimos anos. São as carteiras digitais, que permitem armazenar dinheiro ou vincular algum cartão para a realização de pagamentos, como é o caso de apps como PicPay, MercadoPago e RecargaPay. Por meio destes aplicativos é possível fazer pagamentos tanto de contas e boletos online quanto pagar por produtos e serviços presencialmente por meio de QR Code, eliminando a dependência de um cartão de débito ou crédito.

Publicidade

Esses serviços também ganharam muita força graças à sua estratégia agressiva que envolve, em boa parte, dar dinheiro “de graça” para seus clientes. Quem tem esses apps instalados regularmente recebe notificações avisando que, ao pagar um boleto ou uma conta, é possível receber um percentual de volta como cashback; o valor pode ser usado para abater outro pagamento no futuro, criando uma relação de fidelidade com o consumidor e colaborando para a expansão da base de usuários. Resta saber se o público continuará usando os serviços se a fonte de cashback secar.

Relacionamentos

Reprodução

Não há como discutir: a década que se encerra neste dezembro foi a década do Tinder. Poucos aplicativos tiveram um efeito tão fácil de observar na sociedade. Lançado em 2012, ele tinha uma premissa simples: deslizar para um lado se as fotos e o perfil de uma pessoa agradam; deslizar para o outro se não houver interesse. Se duas pessoas demonstram interesse mútuo, o aplicativo avisa ambos, que podem iniciar uma conversa.

O funcionamento simples e direto se tornou, para muitos, a tábua de salvação na hora de buscar algum tipo de relacionamento, seja ele casual, seja ele mais sério. Especialmente para pessoas que têm dificuldade de abordar desconhecidos para conversar com segundas intenções, o aplicativo se tornou fundamental e deu origem a incontáveis relacionamentos estáveis ou efêmeros.

Publicidade

Há como se questionar se essa dinâmica é saudável, no entanto. Um estudo da Universidade do Norte do Texas percebeu uma série de questões de afetando negativamente o psicológico de usuários. A pesquisa concluiu que usuários do Tinder relatam menos bem-estar psicológico e mais indicadores de insatisfação com o corpo do que não usuários, independentemente de gênero. Além disso, a pesquisa concluiu que a autoestima masculina é afetada de forma mais severa pelo fato de que mais homens usam o Tinder e são até três vezes mais propensos a dar like nos perfis, o que aumenta a concorrência pelas mulheres e abre mais espaço para experiências negativas como rejeição e o “ghosting”, que é a prática de sumir e parar de responder sem dar qualquer explicação.

Bom ou mau para a sociedade, o fato é que o Tinder está aí e se tornou parte da vida digital. Seu sucesso também inspirou uma série de concorrentes, que visam apresentar alguma característica distinta como forma de atrair público. É o caso do Happn, que tenta aproximar pessoas que passaram por um mesmo local, do Bumble, no qual apenas a mulher tem a liberdade de iniciar a conversa, ou apps focados na a comunidade LGBTQ, como Grindr, Hornet, Her e outros.

Redes sociais

As redes sociais não são um fenômeno desta década. MySpace e o queridinho dos brasileiros, o Orkut, estão aí para provar, além de Twitter e Facebook também terem sido fundados nos anos 2000. No entanto, isso não quer dizer que não tenha sido uma década marcante para elas.

Publicidade

O Instagram é provavelmente o grande lançamento do período, chegando ao público em outubro de 2010 e pouco tempo depois sendo vendido ao Facebook por US$ 1 bilhão, que, em retrospectiva, se mostrou um valor irrisório para o tamanho que a rede social adquiriu com o passar dos anos. Hoje ele é onipresente, usado por celebridades de todos os tipos, com mais de 1 bilhão de usuários.

Reprodução

Apesar da popularidade, o Instagram não era exatamente inovativo. Ele contava com os filtros, sim, mas plataformas para postagens de fotos já existiam na década anterior, bastando lembrar de serviços como Fotolog. A tendência realmente nova que marcou a década são os stories. A invenção do Snapchat trouxe uma nova dinâmica para plataformas sociais, com o compartilhamento de publicações efêmeras, que desaparecem após algum tempo. No início, o recurso trouxe confusão, sendo profundamente e diretamente associado ao “sexting”, as trocas de mensagens de cunho sexual, muitas vezes envolvendo os famosos nudes. Com o tempo, a função passou a ser compreendida de forma mais ampla.

Publicidade

Os stories que desaparecem após algum tempo tiraram um pouco da responsabilidade sobre o conteúdo que é publicado. Só quer postar uma foto de um doce bonito que você está comendo? Os stories são o espaço perfeito: nada permanente, nada definitivo, apenas diversão temporária.

Não foi à toa que o Facebook, percebendo a ameaça que o formato representava para suas plataformas nas quais o que você postava era eterno (basta lembrar da sua página no Instagram e da sua timeline no Facebook), tratou de copiar os stories em todos os lugares possíveis. Deu certo. O Snapchat passou a minguar, e o Instagram cresceu e se popularizou como a principal plataforma de stories.

No final da década, uma nova rede social começou a ganhar força. O TikTok, extremamente forte na Ásia, começou a conquistar um público ocidental oferecendo maneiras fáceis de manipular vídeo e música de forma criativa. O Facebook já percebeu mais uma vez a ameaça que o app representa, mas ainda não conseguiu criar uma resposta. Será necessário ver como a próxima década desenvolve essa rivalidade.

Publicidade