Começam a pipocar as listas de fim de ano pelo mundo todo, com as melhores estreias cinematográficas de 2019, e um problema já se impõe: como lidar com as estreias exclusivas do streaming?

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Se no ano passado Roma entrou em muitas listas porque chegou a ser exibido nos cinemas, numa estratégia que se repetiu, com ainda maior resistência, para fazer com que O Irlandês possa concorrer ao Oscar, o mesmo não pode ser dito de outras estreias exclusivas do streaming, como as que foram resenhadas aqui mesmo: Meu Nome é Dolemite e Pássaro do Oriente, por exemplo, ambas da Netflix.

O cinéfilo/crítico/jornalista que tiver adorado um desses dois, ou algum outro, poderá colocar em sua lista de melhores do ano? Em caso negativo, esses filmes ficariam num limbo e não seriam tratados como obras cinematográficas só porque não passaram na tela grande. Em caso positivo, como medir, por meio de listas e outras eventuais premiações, a qualidade de centenas de outros títulos exclusivos do streaming?

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Quando consideramos somente as estreias de cinema, existe um denominador comum que faz com que a lista tenha lá sua graça. Abrindo para Netflix, HBO, Amazon e outras, o denominador comum torna-se gigantesco, e nem os mais antenados dos cinéfilos conseguirá ver a maior parte das estreias cinematográficas do ano. Se toda lista já é incompleta, agora a incompletude será uma condição.

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O mesmo vale para premiações. O Irlandês poderá concorrer ao Oscar, mas não Meu Nome é Dolemite, filme adorado por muitos cinéfilos. Por quê? É possível entender a exibição nos cinemas como critério de elegibilidade, mas não é mais possível entender o cinema, essa arte que tantos confundem com mero entretenimento (por culpa da maior parte dos filmes) como um fenômeno visível apenas na tela grande.

Então este é um problema que deverá ser resolvido nos próximos anos. Uma certeza nós podemos ter: o que vivemos, nesse sentido, é transitório, e em algum momento solucionaremos o impasse. A questão é saber quanto vai demorar essa transição.

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