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Visualizações no Youtube, seguidores no Instagram ou Twitter, curtidas em páginas do Facebook, o que você quer? Existe um vale tudo por audiência no ciberespaço das mídias sociais, onde volume representa sucesso e muita gente não está medindo esforços (ou melhor dólares) para chegar ao topo. No caso específico do Facebook, quantidade de curtidas não é indicação de qualidade e atualmente, nem mesmo de realidade. 

Fabricando audiência

A estimativa do mercado negro de “curtidas fabricadas” ou “pay-per-like market” do Facebook é de 200 milhões de dólares ano, isto é o que as empresas faturam, colocando pessoas com perfis falsos curtindo páginas. Investigações recentes apontam para pobre cidade de Dhaka (capital de Bangladesh) como a vilã da história. Vale notar que  41% dos jovens não em emprego, educação ou treinamento em Dhaka. Neste cenário, abraçar “curtidas falsas” para fazer alguns “takas” extras é uma opção. Basta você visitar a sessão de classificados do BDNews24.com (jornal online de Bangladesh) para encontrar oportunidades para se tornar um “curtidor de páginas”.  Mas o que leva a existência deste tipo de negócio é o modelo de audiência adotado pelas mídias sociais e agências, que privilegia quantidade sobre qualidade e não coloca inteligência suficiente (algoritmos) verificadores de crescimento bizarro, seja este de curtidas, seguidores ou visualizações. Recentemente, o Facebook declarou que: identificou e removeu as contas falsas e também curtidas falsas em páginas com mais de 10.000 curtidas. Mas isto não resolve o problema, só prova que o sistema baseado no curtir é falho e não representa a realidade. 

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Influência e capital social

Influência é nova moeda no mercado digital e quantidade de seguidores é o primeiro fator que agências de mídia digital observam para definir um influenciador. Se estes foram fabricados ou não é outra história, até porque poucos internautas vão fazer uma análise ou reality check  pra ver se entre 100.000 seguidores, 80% deles é falso ou inativo. Vale a primeira impressão. Mas influência não é algo simples, de fato é um desdobramento de algo mais importante chamado “influência social”.  De acordo com a Profa. e socióloga Lisa Rashotte, da Universidade da Carolina do Norte:  “Influência social é o processo pelo qual os indivíduos fazem mudanças reais em seus sentimentos e comportamentos como resultado da interação com outros que são percebidos como sendo semelhantes, desejáveis ou especialistas.” Observem que nas mídias sociais o conceito foi “pasteurizado”, no vale tudo por audiência.  Para realmente influenciar uma outra pessoa é preciso que o influenciador possua outros atributos, valores que possam ser compartilhados com seus seguidores. Valores que devem estar por exemplo, explícitos em suas publicações, algo que possua densidade, conhecimento, experiência, muito mais do que o simples blá-blá-blá do cotidiano de suas próprias vidas. O influenciador está mais preocupado com a vida de seus seguidores do que com o próprio umbigo, é uma questão de responsabilidade.

Fábricas de curtidas representam mais uma trinca no vaso de porcelana das mídias sociais. Outras ainda virão.

Nota

Documentário sobre fábrica de likes em Dhaka, Bangladesh
Field of Vision – Like
https://vimeo.com/160794617

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