Uma equipe de engenheiros do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial (CSAIL) do MIT desenvolveu um aparelho vestível para ajudar deficientes visuais em sua vida cotidiana. O aparelho consegue reconhecer obstáculos e transmite essa informação aos usuários por meio de uma série de motores vibratórios que ficam localizados na região da sua cintura.

Ele é composto por uma câmera de profundidade, uma interface reprogramável em Braille e o cinto com motores vibratórios. A câmera consegue identificar superfícies e outros obstáculos, e avisa o usuário quando ele está próximo deles por meio de vibrações localizadas. A intensidade e a localização das vibrações ajudam a pessoa a saber com precisão onde estão os obstáculos, como pode ser visto no vídeo abaixo:

Design

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Segundo os pesquisadores, o dispositivo foi desenvolvido com o auxílio de deficientes visuais interessados no sistema. Ao longo do processo, os usuários relataram que prefeririam que a informação fosse transmitida por meio do tato, já que seus outros sentidos já costumam ficar bastante engajados. 

Foi por meio dessas interações que os engenheiros chegaram ao design final do aparelho. Sua câmera fica pendurada no pescoço dos usuários, e o cinto contém cinco motores vibratórios. A região da cintura, de acordo com os engenheiros, foi apontada pelos usuários como a mais adequada para receber essa informações. Vibrações na região da cabeça ou pescoço acabavam sendo muito incômodas.

Outro recurso interessante é a interface em Braille customizável. Trata-se de um pequeno “display” que é capaz de mostrar ao usuário informações sobre as imagens captadas pela câmera. Quando a câmera identifica uma cadeira vazia, por exemplo, ela envia para o display a letra “C”, em Braille; ao ver uma mesa, o display pode mostrar a letra “T” (de “table”, mesa em inglês).

Testes

Os primeiros testes realizados com deficientes visuais deram resultados bastante positivos: as pessoas que usaram o aparelho para caminhar pelos corredores do MIT reduziram em 86% o número de contatos acidentais, na comparação com quem estava usando apenas uma bengala dobrável. 

Por outro lado, o aparelho ainda está em fase inicial de testes, como ressalta o TechCrunch. Os pesquisadores ainda não têm um cronograma de desenvolvimento até um produto final, mas esperam que o dispositivo possa um dia ser usado como substituto para as bengalas tradicionalmente usadas por deficientes visuais.